quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Gerindo Saúde como os Estados Unidos ????

Uma referência utópica de Gestão de Saúde


Um dos paradigmas (ou ditos, como queira), que foram rompidos recentemente é a questão da saúde norte-americana. Até então era difundida como um dos pilares de nossos primos do norte algo indelével e quase intangível.

Uma obra recém lançada por uns dos maiores então estrategistas organizacionais contemporâneos, Michael E. Porter, denominada Repensando a Saúde (2007), traz em seu âmago não apenas dados contundentes sobre a crise no setor de Saúde norte-americano, como também a questão do conceito de contenção de custos e qualidade dos serviços prestados, além disso, segundo o autor o conceito de concorrência está completamente aquém de um modelo no mínimo ideal. Bom seria, se tudo passasse de um conluio contra os Estados Unidos da América, pois assim teríamos ainda como referência no assunto e continuaríamos focados em um modelo vernáculo e digno de admiração. A questão é que todos os elogios e a suposta pujança eram apenas fábulas (mediante a forma em que era expressa).

No primeiro momento Porter (pág. 20, 2007), aponta questões relacionadas à assistência à saúde sendo estas formada por três áreas amplas: o custo e o acesso à saúde supletiva, as normas de cobertura para tratamentos e outros versus o que deve ser coberto pelo paciente e por fim a estrutura da prestação dos serviços de saúde.

Porter (pág. 21), afirma que os norte americanos não competem agregando valor aos seus serviços, pelo contrário, os mesmo competem por um excesso de contenção de custos (tanto as operadoras quantos os prestadores de serviço), que por fim geram o que o mesmo chama de competição na SOMA ZERO. Como o mesmo aponta: “a competição acontece nos níveis errados e nas coisas erradas. Gravitou para uma competição de soma zero na qual os ganhos de um participante são auferidos a expensas dos outros”, em outras palavras um extremo necessita pecar na qualidade dos seus serviços, tendo em vista que um dos lados é adverso e precisam correr para a contenção de custos, para alcançar a margem que mesmo acredita ser ideal.

“Os participantes competem na transferência de custos, uns para os outros, no acúmulo de poder de barganha e na limitação de serviços. Esse tipo de competição não gera valor para ao pacientes, mas corrói a qualidade, nutre a ineficiência e cria capacidade excessiva, elevando os custos administrativos, entre outros efeitos abomináveis” (Michael Porter, 2007).

O que resolveria a questão dessa crise nos serviços de saúde seria uma migração do modelo atual, que poderia ser abordada em três pontos, sendo eles:

Ø Agregação de valor ao serviço prestado;

Ø Um novo conceito de saúde perante o mercado; e

Ø Estabelecimento de um novo padrão.

A crise de nossos vizinhos yankes ainda é mais fortes que a nossa (na perspectiva daqueles que não tem acesso a planos de saúde, não estou falando dos cobertos formado pela classe A e B). O governo gasta cerca de U$ 2.000.000.000.000 (dois trilhões de dólares), e os custos inflam tanto quanto o preço dos commodities ou dos barris de petróleo. Esse valor é alarmente, pois se acredita (Exame, 2007), que até o fim do ano de 2008 esse valor subirá mais 7% valor esse que excede até ao Pib de inúmeros países.

Um fato que mais impressiona segundo Porter (2007, pág 31), é que os mesmos gastam cerca de U$ 5.500,00 (cinco mil e quinhentos dólares), per capita. Enquanto a França gasta U$ 2.500,00 e o Japão U$ 1.700,00 os Estados Unidos com o dobro e mais fração não consegue sequer se oferecer serviços com a qualidade destes citados. A disparidade entre a realidade do setor saúde desses países com EUA é alarmante visto que seus custos de países como: Japão, França, Austrália, Itália, entre outros são extremamente inferiores e sua qualidade bastante superior.

Existe um abismo entre o que é oferecido e o que deveria ser oferecido como saúde. Os gastos aumentam e a expectativa de vida permanece estagnada. A qualidade média deixa a desejar. Segundo o IOM (Institude of Medicine), apenas 55% dos tratamentos indicados na forma de ações preventivas comunitárias são cumpridas e apenas 55% dos cidadãos com problemas de saúde recebiam tratamento e medicação até o ano de 2004, tudo isso, devido ao excesso de custos (um histórico que perdura e infla há um bom tempo), os outro 45% que precisam dos tratamentos (que inúmeras vezes vêem a óbito), ficam as margens da sociedade orando para que a morte tarde a vir ou que nem venham visitá-lo.

Um outro fator que é alarmante são os erros médicos, segundo o IOM estima-se que cerca de 284.000 (duzentos e oitenta e quatro mil), óbitos venham ao ano por imperícia médica, sendo 68% destes por tratamentos evitáveis e normalmente ocasionados por erro de diagnóstico não sendo assim doenças crônicas e quadros de extrema debilidade biológica, além disso estima-se que 700.000 (setecentos mil), óbitos venham por doenças cardíacas, não mais por imperícia e sim por qualidade de atendimento.

O que se discute neste artigo não é a questão da capacitação e da perícia dos profissionais do setor da Saúde não há qualquer sombra de dúvidas que o que existe de melhor em formação de profissionais assistencialistas ao campo saúde está nos EUA é a qualidade média e aumento excessivo de custos que entra em questão, ou seja o conceito de gestão que estão por trás desse cenário em um país tão ingente quanto os Estados Unidos da América..

A questão de profissionais capacitados e aptos respondendo a títulos de “the best of world”, são realmente dignas de admiração, é impossível negar, entretanto o posicionamento dos gestores perante essa quadro que não agrega valor algum a serviços e muito menos promove qualidade de atendimento – qualidade no atendimento é igual a saúde efetiva - é algo lastimável.

Alguns imperitos apontam como subterfúgio a questão dos altos custos algo extremamente dúbio, pois os mesmos são acusados de incompetência (não negando a problemática que é a questão dos altos custos que já foram apresentados como o cerne do problema).

Para amparar os imperitos médicos entra em cenário a indústria dos seguros estima-se que a Empresas que vendem seguro por imperícia médica e cheguem a lucrar ao ano nada inferior a US$ 6.000.000.000 (seis bilhões de dólares). Esses altos índices tem levado a extensas inspeções e avaliações pela Joint Comission on Accreditation of Healthcare Oraganizatons (JCAHO).

Segundo a obra de Porter (2007, pág. 42), o preço mensal médio do seguro saúde por empregado subiu de aproximadamente US$ 300 em 1996 para cerca de US$ 600 em 2004. Por esta razão a General Motors ressalta que o preço do seguro saúde acrescenta US$ 1.500,00 ao preço de cada veículo que ela fabrica nos EUA (ou seja, o carro já saí mil e quinhentos dólares mais caro seja qual for o modelo), a Ford fez questão de participar deste quadro lastimável de sua concorrente e reforçou a questão, alegando que a mesma a três anos atrás lançava cerca de US$ 700,00 no seu carro fabricado no EUA devido ao reajuste do ano exercício a empresa foi obrigada a reajustar o custo adicional para US$ 1.000,00.

A questão não é o aumento do orçamento per capita (está mais que provado que não), a crise está ligada ao corte desenfreado de custos como o fator determinante de concorrência e barganha, provocando como já foi dito, o efeito soma zero. O conceito e os padrões precisam ser subvertidos, o orçamento que é destinado ao setor saúde norte americano mais parece ouro de tolo para os cidadãos que precisam gozar dos serviços, tudo parece escoar “ralo abaixo”, as estatísticas dos EUA não são tão dispares do que se vê de absurdo nos países chamados emergentes pelos nossos vizinhos do norte.

O efeito avalanche começa com a inflação nos preços de fornecedores, operadoras, prestadores de serviços. Neste instante é dada a largada e começam os preparativos para o corte abusivo de custos o cenário é algo hilário e descontraído para quem não assiste a margem da sociedade e não precisa se preocupar com saúde, já que, como em qualquer lugar do globo quem tem poder de capital tem: saúde, segurança, educação e moradia.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PORTER, Michael E., TEISBERG, Elizabeth Olmsted. Repensando a Saúde: Estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos. 1° Ed. Porto Alegre, Editora Bookman, 2007.

SMITH, Hyrum W. O Gladiador Moderno: treinamento e a experiência como armas para vencer as batalhas no mundo corporativo.1° ed. Rio de Janeiro, Elsevier e Negócio Editora, 2004.

WELCH, Jack. Anuário Exame Infra-Estrutura: Investidores que Assustam. 910° Ed. São Paulo, Editora Abril, 2007.

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